Imagem: Arquivo pessoal / g1
Um caso inusitado no vestibular da Universidade de São Paulo (USP) chamou a atenção nesta semana. O candidato Luis Henrique Etechebere Bessa, de 18 anos, que disputava uma vaga no concorrido curso de Direito, foi desclassificado após receber nota zero na redação da segunda fase. O motivo? Um texto carregado de termos eruditos e construções complexas que, segundo a banca examinadora, falhou em abordar o tema proposto: “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”.
Insatisfeito com a eliminação e alegando ter recebido apenas uma justificativa genérica, o estudante acionou a Justiça por meio de um mandado de segurança para entender os critérios da anulação. "Sempre tive um estilo de escrita com vocabulário não tão usual e nunca recebi apontamentos sobre excesso de rebuscamento", defendeu-se o jovem. A Fuvest, por sua vez, reiterou que o texto passou por três avaliações cegas e que a nota zero é definitiva, sem possibilidade de revisão.
Análise de Especialistas
Professores de cursinhos pré-vestibulares ouvidos pela reportagem concordaram com a decisão da banca. Para os especialistas, o texto de Luis Henrique — que inicia com a frase "Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira" — priorizou a "ornamentação" vocabular em detrimento da clareza argumentativa.
Entre os principais problemas apontados pelos docentes estão:
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Falta de Conexão: O uso excessivo de citações de autores como Saussure, Bourdieu e Sandel sem uma ligação direta e clara com o tema do perdão.
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Hermetismo: Construções sintáticas confusas que dificultam a identificação da tese e dos argumentos de sustentação.
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Fuga ao Tema: A preocupação em demonstrar erudição acabou "escondendo" a discussão solicitada pela proposta, prejudicando a progressão textual.
O Papel da Clareza na Comunicação
O episódio serve como um alerta para candidatos de vestibulares de alto nível. Embora o domínio do vocabulário seja valorizado, a função principal de uma dissertação-argumentativa é a transmissão clara de uma ideia e a defesa de um ponto de vista compreensível.
Órgãos de avaliação educacional e instituições de ensino superior desempenham funções fundamentais no licenciamento de editais, monitoramento de bancas corretoras e fiscalização da isonomia nos processos seletivos. Esse trabalho de vigilância técnica e pedagógica é essencial para garantir que os critérios de correção sejam aplicados com rigor e justiça, assegurando que o acesso ao ensino público ocorra com base na competência analítica e na capacidade de comunicação do estudante, mantendo a credibilidade dos maiores vestibulares do país.
Via: g1
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