Incêndio na UFPE compromete cerca de 200 pesquisas; MEC anuncia prorrogação de bolsas

Incêndio na UFPE compromete cerca de 200 pesquisas; MEC anuncia prorrogação de bolsas

Imagem: Mariane Monteiro

 

Um incêndio que atingiu um prédio de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na noite de quarta-feira (7), comprometeu cerca de 200 dissertações e teses de pós-graduação, segundo informações da reitoria. O fogo foi controlado na madrugada de quinta-feira (8), mas destruiu equipamentos e materiais científicos utilizados em pesquisas de diferentes áreas.

Durante visita ao local, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou que as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado dos pesquisadores afetados serão prorrogadas, com o objetivo de permitir a continuidade dos trabalhos.

O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 100 milhões, com perdas que representam cerca de duas décadas de estudos científicos. A Polícia Federal investiga as causas do incêndio e não descarta a possibilidade de ação criminosa.

Pesquisas sobre câncer, autismo e outras áreas foram afetadas

O edifício, com dois pavimentos, abrigava centros de pesquisa ligados às áreas de informática, saúde, educação física, biologia e biomedicina, incluindo o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica.

Entre os temas estudados estavam câncer, Covid-19, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), biomecânica, desempenho esportivo e comportamento motor.

A professora e pesquisadora Melissa Leandro Celestino esteve no local na manhã de quinta-feira. Ela desenvolvia pesquisas com sua equipe nas áreas de performance humana, comportamento motor, saúde e atividade física.

Segundo a pesquisadora, o incêndio destruiu equipamentos utilizados em diferentes projetos científicos, incluindo câmeras de análise tridimensional de movimentos corporais.

A perda dos materiais compromete atividades de iniciação científica, mestrado e doutorado, além de pesquisas relacionadas ao esporte e a condições como TDAH e autismo.

MEC anuncia novo centro de pesquisas e apoio aos estudantes

Após acompanhar uma vistoria técnica no prédio, o ministro da Educação anunciou a construção de um novo centro de pesquisas, com investimento previsto de R$ 28 milhões, além da destinação de recursos para a reposição dos equipamentos destruídos.

Segundo o ministro, também foram estabelecidas parcerias com instituições brasileiras e estrangeiras para auxiliar na continuidade dos estudos.

Pesquisadores que estão na fase final do doutorado poderão participar de uma chamada especial do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), com possibilidade de realizar parte das pesquisas em laboratórios de países como Alemanha, Estados Unidos e França.

A medida também prevê apoio a estudantes de mestrado e pesquisadores de pós-doutorado.

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, afirmou que a principal preocupação da instituição é evitar a interrupção das pesquisas em andamento. A universidade também disponibilizará serviços de apoio psicológico aos estudantes e professores afetados.

Polícia Federal reforça investigação

A Polícia Federal investiga as circunstâncias do incêndio. De acordo com o delegado regional executivo Rodrigo Bastos, peritos especializados do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, deverão reforçar a equipe que atua em Pernambuco.

O objetivo é realizar análises técnicas mais detalhadas para esclarecer as causas do fogo e fornecer respostas sobre o ocorrido.

Segundo a reitoria, os materiais de pesquisa que estavam no prédio foram consumidos pelas chamas, e não há risco de contaminação associado aos materiais destruídos.

Terceiro incêndio registrado na universidade em uma semana

O caso é o terceiro incêndio registrado na UFPE em um intervalo de aproximadamente uma semana.

No dia 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido por chamas. Ninguém ficou ferido. Conforme a universidade, o fogo teria sido provocado durante um experimento realizado em uma câmara de alta temperatura utilizada para aquecer substâncias.

Já no domingo (4), outro incêndio atingiu o laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Também não houve vítimas. Segundo o reitor, a ocorrência foi associada a um curto-circuito no ar-condicionado, que provocou a perda de um freezer de ultrabaixa temperatura utilizado nas pesquisas.

De acordo com Alfredo Gomes, as causas dos dois primeiros incêndios foram identificadas. No caso mais recente, a instituição solicitou a investigação da Polícia Federal para esclarecer o que provocou o fogo.

Via: g1

 

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