Alerta no setor: Brasil corre risco de perder mercado de carnes da União Europeia devido a exigências sanitárias

Alerta no setor: Brasil corre risco de perder mercado de carnes da União Europeia devido a exigências sanitárias

Imagem:  Márcio de Campos

 

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, fez um importante alerta nesta quinta-feira (16). Segundo ele, há grandes chances de a produção de carnes do Brasil não conseguir atender, no prazo estipulado, às novas exigências da União Europeia (UE) sobre o controle do uso de antimicrobianos. Com isso, o país corre o risco real de perder o acesso a esse mercado estratégico.

O grande entrave está no tempo de transição. De acordo com Perosa, considerando todo o ciclo de criação e recria da pecuária de corte, os produtores brasileiros precisariam de cerca de 30 meses (dois anos e meio) para se adaptar completamente às novas regras impostas pelo bloco europeu. No entanto, o prazo final estabelecido pela UE está muito mais próximo.

Entenda o bloqueio europeu e o impacto no setor

Os antimicrobianos são medicamentos utilizados no tratamento e prevenção de infecções nos rebanhos. Contudo, em alguns países, essas substâncias também são aplicadas como promotores de crescimento dos animais, uma prática que é rigidamente restrita pela legislação europeia.

No início de junho, a União Europeia oficializou a exclusão do Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras de controle dessas substâncias na produção animal. Caso o cenário não mude, o país ficará impedido de exportar carnes para o mercado europeu a partir do dia 3 de setembro.

  • Produtos afetados: Carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, tripas, pescados e mel.

  • Concorrência no Mercosul: Enquanto o Brasil enfrenta o embargo, vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai continuam habilitados e autorizados a exportar para o bloco.

De acordo com a Comissão Europeia, o descredenciamento ocorreu porque as autoridades brasileiras não apresentaram as informações e comprovações necessárias de que a produção nacional cumpre as exigências sanitárias europeias. Embora a UE represente cerca de 5% do volume total das exportações brasileiras de carne, ela é considerada um mercado de altíssima relevância por comprar os cortes de maior valor agregado (cortes nobres).

Setor enfrenta "tempestade perfeita" com restrições também na China

Além do iminente bloqueio europeu, a indústria de carnes no Brasil já lida com sérias dificuldades comerciais vindas do seu maior cliente: a China.

Desde o dia 1º de janeiro de 2026, o governo chinês ativou medidas de salvaguarda que impõem cotas e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira. O acordo temporário de três anos estabelece uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas. Qualquer volume que ultrapassar esse teto sofrerá uma pesada sobretaxa tarifária de 55%.

Essa soma de fatores já provocou reflexos imediatos no mercado nacional neste mês de julho de 2026:

"Não temos a mesma demanda global de carne. O principal mercado do Brasil é o interno, mas a exportação complementa e faz esse mix que evita uma elevação aguda dos preços domésticos. Hoje, sem essa garantia de remuneração da China, muitas indústrias estão operando no vermelho e aplicando férias coletivas devido à dificuldade de escoar a produção que cresceu nos últimos anos", explicou Roberto Perosa.

O preço da carne vai subir para o consumidor brasileiro?

Questionado sobre como essa crise nas exportações afetará o bolso do trabalhador no Brasil, o presidente da Abiec apontou duas fases distintas:

  1. Curto prazo: Os preços nos açougues e supermercados devem permanecer estáveis, uma vez que haverá um volume considerável de carne direcionado para o mercado interno devido às barreiras externas.

  2. Médio e longo prazo: A forte pressão sobre as margens de lucro dos produtores e frigoríficos, somada a um eventual aquecimento da economia, pode forçar uma redução da produção futura, o que resultará em reajustes e aumento de preços nos balcões mais adiante.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) segue em intensas negociações com os pecuaristas e representantes da indústria para tentar viabilizar uma solução diplomática e técnica junto à União Europeia antes do prazo limite de setembro.

Via: g1

 

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