Imagem: Reprodução/TV Globo
Depoimentos obtidos com exclusividade pela reportagem do Fantástico revelam que sobreviventes do acidente com um barco de passeio nas Cataratas do Iguaçu, que resultou na morte do turista holandês Mark Lessink, de 25 anos, afirmam não ter recebido orientações sobre como agir em emergências antes do embarque. A Polícia Civil investiga se houve falhas nos protocolos de segurança e na adequação dos equipamentos utilizados.
O tombamento da embarcação ocorreu na última terça-feira (28), no Rio Iguaçu. A investigação apura as circunstâncias do acidente e a conduta da concessionária operadora do serviço.
Relatos apontam ausência de briefing e problemas com coletes
Segundo os relatos prestados por testemunhas e familiares da vítima, os coletes salva-vidas foram entregues antes do passeio, mas sem explicações práticas sobre o uso correto ou procedimentos de evasão e flutuação caso o barco virasse.
Além da falta de instrução, passageiros relataram dificuldades para se manter na superfície devido ao modelo do colete fornecido. De acordo com os depoimentos, o equipamento possuía amarração apenas na linha da cintura — sem alças entre as pernas —, o que fazia o colete subir com a força das correntes do Rio Iguaçu.
Investigação e perícia médica
A Polícia Civil informou que, até o momento, não identificou indícios de falha operacional por parte dos dois pilotos da embarcação. Contudo, o foco das apurações voltou-se para a gestão dos protocolos de prevenção e treinamento de passageiros.
O laudo da Polícia Científica confirmou que a causa da morte de Mark Lessink foi afogamento. O delegado responsável pelo caso sinalizou que a apuração busca determinar se houve deficiência nas orientações prévias e se a conduta da gestão da empresa pode configurar homicídio culposo.
Contraponto da empresa concessionária
Em resposta às declarações, a empresa responsável pela atração negou ter havido omissão nas orientações. Segundo a concessionária, os visitantes passam por etapas de orientação (briefings) ao longo do trajeto, incluindo avisos na condução terrestre, na trilha suspensa, sinalização visual em três idiomas e instruções diretas antes do embarque.
A empresa também prestou esclarecimentos sobre os coletes salva-vidas utilizados, informando que o modelo adotado é do tipo "canga", homologado para manter as vias aéreas do usuário fora da água mesmo em situações de perda de consciência. A concessionária informou ainda que realizou treinamentos de reciclagem com a equipe e que mantém seus protocolos operacionais alinhados às certificações vigentes.
Via: g1 / Fantástico
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