Dívida pública de R$ 10,8 trilhões e escassez de mão de obra no campo ameaçam o crescimento do país, alerta CNA

Dívida pública de R$ 10,8 trilhões e escassez de mão de obra no campo ameaçam o crescimento do país, alerta CNA

Imagem: Imagem gerada por IA

 

O avanço do endividamento público e a falta de trabalhadores no campo são apontados como dois dos principais entraves para a competitividade e o crescimento sustentável do Brasil. Dados do levantamento “Orçamento Público: Qualidade do Gasto e Responsabilidade Fiscal”, encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que a dívida pública brasileira atingiu R$ 10,8 trilhões em junho de 2026, atingindo o equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

No período acumulado de 12 meses, o país gastou R$ 1,16 trilhão apenas com o pagamento de juros. O estudo alerta que, mantida a trajetória atual das contas públicas, a dívida bruta do Brasil poderá alcançar 95,7% do PIB até 2030.

Impactos fiscais e rigidez orçamentária:

  • Arrecadação e Déficit: Apesar de a carga tributária ter alcançado 34,35% do PIB em 2025, o Governo Central e as estatais registraram um resultado primário deficitário de R$ 76,2 bilhões no mesmo ano.

  • Rigidez do Orçamento: Das despesas federais de R$ 2,3 trilhões em 2025 (excluindo encargos especiais), mais de 60% foram destinadas à Previdência Social (47,8%) e à Assistência Social (12,6%), estrangulando a margem para investimentos públicos.

  • Qualidade dos Gastos: A entidade defende a revisão contínua e a avaliação periódica das políticas públicas para evitar sobreposições de programas e garantir a eficiência dos gastos sociais e das verbas orçamentárias.

Falta de trabalhadores já atinge produtores rurais

Além dos gargalos fiscais, o setor produtivo enfrenta escassez de trabalhadores. Segundo a pesquisa “Mercado de Trabalho na Agropecuária”, elaborada pela CNA em parceria com o Cepea/Esalq/USP, 44,5% dos produtores rurais consideram a mão de obra o seu principal desafio atual.

O levantamento revela que 94,8% dos entrevistados encontram dificuldades para contratar e 84,3% trabalham com equipes reduzidas. Entre os impactos diretos registrados nas propriedades estão atrasos nas operações (48,7%), desistência ou adiamento de planos de expansão (48%), elevação dos custos trabalhistas (43,9%) e antecipação de investimentos em mecanização e automação (42,6%).

Embora a área agrícola brasileira tenha crescido 43,2% entre 2012 e 2025 e a produtividade por hora trabalhada no campo tenha avançado 515% desde 1995, o número de empregados por 100 hectares recuou 38,5%. Diante desse cenário, a CNA destaca que a consolidação de um ambiente econômico favorável depende do ajuste fiscal das contas públicas aliado ao fortalecimento da qualificação profissional e a políticas que estimulem a inserção no emprego formal.

Via: CNN Brasil

 

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