Imagem: Douglas Lopes/Divulgação
A dor menstrual e a falta de infraestrutura básica nas escolas são fatores determinantes para o absenteísmo escolar de milhares de jovens. Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info revela que cerca de quatro em cada dez estudantes (37,1%) faltam às aulas mensalmente devido a dores e cólicas intensas. Além disso, seis em cada dez alunas relatam que o fluxo menstrual e os sintomas moderados ou fortes atrapalham diretamente a rotina de estudos.
O levantamento, divulgado para marcar as ações do Dia Internacional da Dignidade Menstrual (28 de maio), ouviu 2.551 estudantes, além de professores e gestores de redes públicas e privadas de todas as regiões do país. O estudo aponta que as faltas geram uma média de dois dias perdidos por mês, criando uma desvantagem crônica no aprendizado e no vínculo escolar.
Fatores de Afastamento e a Desigualdade Racial
A cólica ginecologia lidera como o principal sintoma limitante, apontado por 57,7% das entrevistadas. Outros reflexos físicos e emocionais também foram catalogados pelo monitoramento:
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Sintomas físicos: Cansaço e dores no corpo (30,1%), dores de cabeça (28%) e dores abdominais (20,1%).
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Fatores psicológicos e estruturais: Vergonha ou medo de vazamentos (19,3%) e a falta de banheiros adequados ou produtos de higiene (8,2%).
O estudo escancara uma severa disparidade racial e socioeconômica. Embora alunas brancas relatem maior percepção de dores intensas (37,5%), são as estudantes negras que mais faltam às aulas, chegando a perder 1,5 vez mais dias letivos do que as brancas. Especialistas apontam que fatores culturais e a normalização histórica da dor em corpos negros fazem com que essas meninas subestimem a gravidade dos sintomas, deixando de buscar tratamento adequado. Regionalmente, as assimetrias se agravam no Norte e Centro-Oeste, onde a precariedade de banheiros e o desabastecimento de absorventes respondem por até 30,2% das ausências.
Menarca Precoce e o Risco de Diagnósticos Tardios
A pesquisa acende um alerta sobre a antecipação do ciclo menstrual no país: 65,2% das meninas tiveram a primeira menstruação (menarca) até os 11 anos. O início precoce está diretamente associado a dores mais severas, uma vez que 43% das meninas que menstruaram aos 10 anos enfrentam cólicas incapacitantes na adolescência.
A naturalização dessa dor por parte de familiares e educadores gera um efeito colateral grave na saúde pública: o atraso no diagnóstico de doenças crônicas. Condições como a endometriose — distúrbio inflamatório que afeta uma em cada dez mulheres e surge de forma silenciosa na juventude — chegam a demorar até 12 anos para serem descobertas na vida adulta devido à negligência com as queixas de dor na adolescência. Ademais, o problema atinge o corpo docente: 12,1% das professoras também faltaram ao trabalho no último ano por complicações menstruais, gerando um impacto cumulativo na dinâmica escolar.
Políticas de Inclusão e Dignidade Menstrual nas Escolas
A transformação das unidades de ensino em espaços de acolhimento e suporte é indispensável para combater a evasão e promover a equidade de gênero e raça.
Órgãos de gestão educacional, o Ministério da Educação (MEC) e as Secretarias de Saúde desempenham funções fundamentais no licenciamento de diretrizes curriculares sobre saúde reprodutiva, monitoramento de estruturas sanitárias e fiscalização de programas de distribuição de insumos higiênicos. Esse trabalho de vigilância técnica e pedagógica é essencial para institucionalizar relatórios de faltas justificadas por motivos de saúde e capacitar docentes, assegurando que o ambiente escolar ocorra com credibilidade institucional e transparência, protegendo o desenvolvimento das jovens paranaenses e garantindo que a educação avance com rigor e eficiência em todo o território nacional.
Via: Agência Brasil
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